Minha criança, minha jóia, minha vida, meu amor. ♬
“O silêncio invade a sala de jantar, falo qualquer coisa pra quebrar o gelo. Entendo que você não quis brigar, eu peço que não trate com indiferença, pois as emoções, às vezes, pregam peça em nós. Você bem sabe o que a gente tem. Sento do seu lado, implico igual criança pra você rir e eu também. Somos só os dois no palco, pra essa dança. Mas as emoções, às vezes, pregam peça em nós. Testemunhas vão lhe confirmar, eu nunca quis te magoar. Como um sonho que viaja e sempre se despede ao amanhecer, não precisam mais palavras, olha no meu olho pra me entender. Vem, que eu te faço um cafuné aqui embaixo do edredom, não vá dizer que cê não quer! Diz que essa briga já passou, e a gente pode se acertar,só pra cuidar do NOSSO AMOR.”
O tempo frio, definitivamente, não combina com a tristeza. Eu não achei que fosse chegar a esse ponto. Sabia que a tristeza viria, que a dor viria, mas achei que pudesse contê-la, como sempre consegui. A dor que se sente quando alguém que se ama está indo embora não se compara à nenhuma dor que eu já tenha sentido alguma vez. Não é natural, não parece ser real, mas é. Tenho alguns momentos divertidos durante o dia. Alguns dias são excepcionalmente divertidos, mas eu não funciono mais dessa forma. A felicidade não ultrapassa mais os limites dos meus domínios. Sou um poço de tristeza, de culpa, de dor, de mágoa, de saudade. Um poço escuro e profundo, onde não se enxerga o fundo. Vejo casais felizes na rua e sinto inveja deles. Inveja é algo que eu nunca senti de ninguém, sempre estive perfeitamente satisfeito com o que tive, com o que era, mas agora me falta um pedaço. Justamente o pedaço que você levou contigo. Eu grito “VOLTA”, eu imploro, eu choro, eu corro, eu me esforço, eu mudo tudo, mas você continua indo embora. Você supera, você sorri, você encontra a felicidade longe de mim. Ver você feliz e saber que a culpa não é minha me machuca ainda mais. Vejo seus olhos na multidão, pra onde quer que eu olhe. Qualquer perfume é seu, qualquer voz é a sua, e se to telefone toca é sempre você, por alguns segundos, até eu pegar o celular e perceber que não é, até eu perceber que os olhos não são, de fato, os seus. Até eu perceber que era o seu perfume, mas não vinha de seu pescoço. Todos me ligam, todos procuram, todos perguntam como eu estou, menos quem deveria mesmo se importar com isso. Você lembra quantas vezes prometeu que ia me amar pra sempre? Agora você tá indo embora. Tá me deixando aqui sozinho, nesse frio. Um momento péssimo pra uma decisão importante. Minha vida cada vez mais de cabeça pra baixo. Aposto que a sua também, mas eu já não sou mais o motivo dessa bagunça. Eu, no entendo, continuo vivendo em sua função. O tempo vai passar e eu vou continuar lembrando apenas dos momentos bons. Do seu sorriso, da sua boca, que faz aquele biquinho que eu sempre amei, do cheiro do seu cabelo, dos seus trejeitos, das suas manias. Vou sentir falta de toda aquela implicância e das mordidas que vinham logo depois. De você me mandando calar a boca quando eu começava a cantar no telefone. Vou lembrar das coisas mais simples, mas que me marcaram pra sempre, como quando você passou de período e, ao me ver chegando na escola, abriu um sorriso lindo de felicidade (um dos mais bonitos e sinceros que eu já vi em você.) e veio correndo me abraçar, dizendo que tinha passado. Das nossas longas conversas casuais, como aquela à beira da piscina, no sítio. Das amenidades do nosso relacionamento confuso, mas gostoso demais. Dos abraços apertadíssimos que te faziam gemer de dor, bem antes de um pedido de “Não me esmagaça!” Vou sentir falta de te aninhar nos meus braços, enquanto você me abraça com as pernas. “Pega o do gatinho!” Da uma olhadinha no seu Orkut, lê os depoimentos e vê se algo alí não foi real. Nada alí foi mentira, foi só o que eu senti e consegui expor. Não sou tão bom com atitudes como sou com palavras, e isso é só uma das coisas que pretendo mudar daqui pra frente. Se não for pra você perceber, que seja pra fazer alguém feliz. Tudo vai me fazer lembrar você, e todas as forças do universo insistem em me fazer lembrar, como hoje, por exemplo, que eu passava em frente à South, já fechada, e na vitrine aquela blusa de manga longa que você me deu estava à mostra. Só pra eu ver, só pra doer em mim. O tempo vai passar e eu vou continuar te amando. Mas agora eu preciso cuidar de mim. Vou embora como você e só você pode impedir e você não quer. Da sua felicidade eu não faço mais parte. Nem dos seus planos. Mas se por milagre ou sabedoria, você quiser voltar atrás, eu estarei no mesmo lugar que você me deixou, sozinho e no frio. Eu acho. Eu te amo, vou amar sempre, e serei sempre Seu Bem. Agora seca o rosto e bola pra frente.
“Lembranças de um tempo bom, que a gente se amava em paz. Que pena que eu vacilei, agora que não dá mais, você não me deu perdão. Não tem problema. Espero que esteja bem, feliz como eu fui feliz. O tempo é quem vai dizer, a vida quem quis assim, não sou capaz de entender como saí de cena. Não dá pra mim, eu vou voar, melhor assim…”